SOCIOENATIVOS

SOCIOENACTIVE SYSTEMS:
INVESTIGATING NEW DIMENSIONS
IN THE DESIGN OF INTERACTION
MEDIATED BY INFORMATION AND
COMMUNICATION TECHNOLOGIES
COORDENADO POR:
M. Cecilia C. Baranauskas
FINANCIADO POR:
FAPESP Projeto Temático 2015/16528-0
(2017-2023)
Parceria do Instituto de Computação da
UNICAMP, Instituição Sede.

REFLEXÕES E IMPACTOS

A presença de novas tecnologias e de novas modalidades de interação (interfaces tangíveis, vestíveis e naturais), somada à ubiquidade da computação e à maneira como as pessoas interagem em um ambiente em que essa tecnologia é pervasiva, apresentam desafios que demandam a consideração de novos fatores (físicos, digitais e sociais) no design de sistemas que estamos denominando Socioenativos. Tais sistemas representam um cenário complexo para o qual ainda não se tinha conhecimento de bases teóricas e metodológicas (e nem experiências práticas) adequadas para seu design. As maneiras como as pessoas irão interagir em ambientes Socioenativos não são fáceis de explicar e de predizer em tempo de design. Este Projeto objetivou construir um framework conceitual a partir da experimentação com diferentes cenários constituídos a partir da criação de protótipos de sistemas Socioenativos em 3 diferentes contextos experimentais: um cenário que envolve ambientes de aprendizagem, um cenário que envolve um museu exploratório de ciências e um cenário que envolve ambiente hospitalar. Caracterizados pela relação tripartite de acoplamentos Social-Físico-Digital, o Projeto desenvolveu-se a partir de metodologia cíclica fundamentada em três pilares: 1. construção do conceito a partir de suas bases enativistas; 2. construção de artefatos e cenários experimentais e sua realização com parceiros do Projeto (um museu exploratório, uma escola e um hospital); e 3. análise de dados que realimentam o ciclo.

Em termos da Informática na Educação, o Projeto Socioenativos contribuiu com pesquisa original e estudos do fenômeno do design de tecnologia (ubíqua, pervasiva) e da interação em ambientes constituídos por essa tecnologia a partir de uma perspectiva fenomenológica, que entende e destaca o papel do corpo (não apenas do cérebro) nos processos cognitivos de troca com o ambiente. Dessa maneira, o estudo do fenômeno que denominamos “Socioenativo” envolveu uma construção conceitual sustentada pela visão enativista da ciência cognitiva, que foi alimentada com a prática da construção de artefatos tecnológicos que compuseram cenários onde foi possível experimentar o fenômeno sendo estudado, de forma cíclica. Os cenários construídos em diferentes contextos sociais de uma escola, um museu e um hospital, parceiros do Projeto, foram vivenciados majoritariamente por crianças pequenas (de 6 a 12 anos) interagindo por meio de seus corpos e suas ações perceptualmente guiadas em relação aos artefatos, e às ações de outras pessoas (incluindo adultos) no mesmo ambiente. Os cenários, artefatos tecnológicos e acoplamentos que constituem os cenários do ambiente levaram a diferentes experiências de sensing, feeling, thinking, and acting sobre narrativas e artefatos, capazes de sustentar circularmente as relações intersubjetivas das crianças em seus processos individuais e participativos de construção de sentido.

MEMÓRIAS

Os trechos a seguir são fragmentos de depoimentos de três pesquisadores em formação sobre a relação de seus trabalhos com o Projeto, representando cada um dos três contextos do Projeto (Museu, Hospital, Escola).

Josiane Rosa de Oliveira Gaia Pimenta realizou em seu mestrado (IC/UNICAMP) uma investigação sobre acesso equitativo em ambientes de computação ubíqua. Na investigação foi possível estudar três casos de pessoas com deficiência: duas crianças diagnosticadas com Transtorno de Espectro Autista (TEA) e uma criança diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Em sua pesquisa foi desenvolvido o instrumento de avaliação UbiAccess, experimentado tanto em dados de oficinas presenciais e seus artefatos (Monolito, Logo Guará, Memoção, Temporário) quanto em ambiente totalmente remoto e simulação de ambiente remoto nas oficinas do Aquarela Virtual.

“(…) foi possível perceber que a experiência do Aquarela Virtual, trouxe um impacto positivo para essas crianças, que estavam passando por uma dura realidade de isolamento social. Os pais de uma das crianças TEA relataram para a professora que nos dias seguintes à oficina a criança queria ir para a escola todos os dias. Já os pais da outra criança TEA relataram que ele ficou tão feliz que fez o seu gesto característico de alegria muitas vezes durante a oficina, além de pular o tempo todo na frente do laptop. Observamos também que a criança TDAH criou a sua própria narrativa enativa, atribuindo sentido às animações e percebendo seus amigos a distância, quando por exemplo viu o avatar de sua amiga flutuando numa nuvem e entre muitos risos disse que sua amiga ia cair porque não estava no avião do Aquarela”.

A tese de doutorado do pesquisador José Valderlei da Silva (IC/UNICAMP) buscava aplicar o Design Socialmente Consciente para organização de espaços como ambientes IoT. Este Projeto de pesquisa, permitiu explorar artefatos como objetos no cenário hospitalar proposto. Artefatos foram propostos, implementados e experimentados com crianças no contexto do ambiente hospitalar, como parte da condução dos estudos da Internet das Coisas Humanas.

“(…) desenhar sistemas, considerando três dimensões (social, física e digital), propostas para Sistemas Socioenativos, trouxe implicações relevantes para: i) o feedback usando objetos conectados e se comunicando; ii) estudar a socialização que acontece no ambiente constituído pela tecnologia; e ii) propor uma categorização para as coisas/objetos que fazem parte de um espaço organizado como ambiente de acordo com seu propósito.”

Marleny Luque Carbajal estudou em sua tese de doutorado a interação socioenativa e a aprendizagem criativa. Pensar de forma criativa e inovadora pode ajudar as pessoas a lidarem com desafios e complexidades da nossa época. Na área educacional, vem sendo constatada a necessidade de uma educação que possibilite formar cidadãos mais criativos e independentes, preparados para atuar frente às novas demandas.

“(…) A interação socioenativa tem o potencial de ser uma abordagem para concepção e criação de ambientes tecnológicos que incentivem a exploração pelo uso do corpo, fornecendo feedback mais dinâmico e promovendo a ação conjunta e o fazer sentido participativo. Por ser intrinsecamente mais envolvente constitui uma abordagem ideal para criar objetos tecnológicos que promovam ambientes de aprendizagem criativa na escola, facilitando o envolvimento das crianças em atividades criativas.”

A seguir, fotos que ilustram os três cenários considerados no Projeto Socioenativos. Fonte: Relatório Final do Projeto Fapesp (2015/16528-0)

Oficina com crianças da pré escola utilizando o artefato GloveBot (fonte: tese de doutorado de Marleny Luque Carbajal) Versão em escala real da instalação InstInt em funcionamento no Museu Exploratório de Ciências (Fonte: Relatório Final do Projeto Fapesp 2015/16528-0). No espaço 01, diagrama do Sistema Aquarela Virtual conectando pessoas em diferentes ambientes e no espaço 02 a Aquarela estendida interagindo com ambiente local e capturando dados fisiológicos (fonte: tese de doutorado de José Valderley da Silva)

 

Equipe:

  • Maria Cecília Calani Baranauskas
    (Pesquisadora Responsável, Coordenadora)
  • José Armando Valente
    Instituto de Artes, NIED, UNICAMP (Pesquisador Principal)
  • Maria Teresa E. Mantoan
    Faculdade de Educação, UNICAMP (Pesquisadora Principal até junho de 2020)
  • Alysson B. Prado
    Instituto de Computação/UNICAMP, Pesquisador Associado
  • Diana Domingues
    Universidade de Brasília, Pesquisadora Associada
  • Diego Addan Gonçalves
    Dr. Bolsista PD
  • Eliana Alves Moreira
    IC/UNICAMP, Dr.
  • Emanuel Felipe Duarte
    IC/UNICAMP, Dr, Bolsista PD
  • Fabricio Matheus Gonçalves
    IC/UNICAMP, Doutorando
  • Geovanna Evelyn Espinoza Taype
    IC/UNICAMP, Doutoranda
  • José Valderlei da Silva
    IC/UNICAMP, Doutorando
  • Josiane R. de O. Gaia Pimenta
    IC/UNICAMP, Mestranda/Doutoranda
  • Julio Cesar dos Reis
    IC/UNICAMP, Pesquisador Associado
  • Leonardo Cunha de Miranda
    DIMAP/UFRN, Pesquisador Associado
  • Luã Marcelo Muriana
    IC/UNICAMP, Doutorando
  • Maria Jêsca Nobre de Queiroz
    IC/UNICAMP, Mestranda
  • Marleny Luque Carbajal
    IC/UNICAMP, Doutoranda
  • Ricardo E. Caceffo
    IC/UNICAMP, Pesquisador Associado
  • Roberto Pereira
    Departamento de Informática/UFPR, Pesquisador Associado
  • Rodrigo Bonacin
    CTI Renato Archer/MCT, Pesquisador Associado
  • Yusseli Lizeth Méndez Mendoza
    IC/UNICAMP, Doutoranda
  • André Luiz Correia Gonçalves de Oliveira
    FE/UNICAMP, Pesquisador Associado
  • Andressa Santos
    IC/UNICAMP, MSc,
  • Andrey Justo
    CTI Renato Archer,
  • Bruna Panaggio
    MSc,
  • Camilla V.L.T. Brennand
    MSc,
  • Eduardo Khater
    UNIP – Universidade Paulista, Pesquisador Associado
  • Elaine C. S. Hayashi, Dr.
  • Felipe Rodrigues Jensen
    MSc,
  • Flavio Nicastro
    Doutorando
  • Gonzaga Souza
    CTI Renato Archer, Ig Ibert Bittencourt Santana Pinto, IC/UFAL
  • Julián E. G. Posada
    UniQuindío, Colômbia,
  • João Vilhete V. D`Abreu
    NIED/UNICAMP
  • Lara S. G. Piccolo
    Prof. KMI/UK Open University,
  • Olga Takinami
    (UF ABC),
  • Rafael Eiki
    IC/UNICAMP, BSc.
  • Roberto Sussumu Wataya
    (UNASP),
  • Roberto Romani
    DAC/UNICAMP,
  • Rodolfo J. Azevedo
    Instituto de Computação/UNICAMP,
  • Tania Lima
    CTI Renato Archer/MCT
  • Vanessa Maike, Dr